terça-feira, 11 de outubro de 2011
O quarto de hóspedes.
Lá estava eu, de frente para meu (ex) quarto, mais uma vez de mala na mão. Mala leve, tempo curto. Olhando com atenção percebi os sinais de que aquele já não era mesmo meu quarto. Agora neutro, com lençóis brancos e um leve aroma de lavanda. Armários e gavetas vazios, assim como os deixei. A medida que desarrumava minha mala, ia percebendo sua nova identidade. Ninguém entrava ali, sua porta estava sempre fechada, como se fechar a porta fosse ajudar a esquecer o passado. Agora eu era uma moça estranha, num quarto estranho, era muita novidade para aquela casa. As fotos, agora poucas, caíam do mural branco com o vento forte que a janela do décimo sétimo andar trazia. Não queria de forma alguma acreditar que ali não mais pertencia, e buscava insanamente por algo que me fizesse sentir que o meu quarto ainda era o meu quarto, mas tudo que conseguia ver era que aquele quarto era só um quarto. Um quarto de ninguém. Não era o meu quarto que não era meu, eu é que não era mais dele.
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