terça-feira, 18 de outubro de 2011
Altura de smurf e coração de manteiga.
Sentada na beira da cama, balançava as pernas de ansiedade, e repetia mentalmente que um dia não haveria mais despedidas. Que era sim possível viver num mundo onde temos todos a quem amamos pertinho de nós, pra segurar nossa mão ao atravessar a rua ou só pra ligar dizendo que descobriu o nome daquela música que tocou no filme de domingo no cinema. Invadindo meu quarto com seu sorriso, uma menina de cabelos compridos e negros, se senta ao meu lado e mesmo que não seja assim tão mais baixa que eu, seus pés não tocam o chão quando se senta na cama e mal consegue balançá-los num movimento repetitivo como o que eu fazia há poucos instantes. Ainda sorrindo, ela me dizia que era pra eu não me preocupar, que tudo tem sua hora, e que a minha iria chegar, cedo ou tarde. E faz isso sempre que julga necessário há 19 anos. Me pego pensando no significado da palavra "ANJO", e quase sempre acho que tenho um perto de mim. Me cuidando e me guardando. E por mais que eu tente dizer o quão importante meu anjo é em minha vida, ninguém nunca saberá ao certo. Só quem sabe sou eu. Eu e meu anjo com altura de smurf e coração de manteiga.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
O quarto de hóspedes.
Lá estava eu, de frente para meu (ex) quarto, mais uma vez de mala na mão. Mala leve, tempo curto. Olhando com atenção percebi os sinais de que aquele já não era mesmo meu quarto. Agora neutro, com lençóis brancos e um leve aroma de lavanda. Armários e gavetas vazios, assim como os deixei. A medida que desarrumava minha mala, ia percebendo sua nova identidade. Ninguém entrava ali, sua porta estava sempre fechada, como se fechar a porta fosse ajudar a esquecer o passado. Agora eu era uma moça estranha, num quarto estranho, era muita novidade para aquela casa. As fotos, agora poucas, caíam do mural branco com o vento forte que a janela do décimo sétimo andar trazia. Não queria de forma alguma acreditar que ali não mais pertencia, e buscava insanamente por algo que me fizesse sentir que o meu quarto ainda era o meu quarto, mas tudo que conseguia ver era que aquele quarto era só um quarto. Um quarto de ninguém. Não era o meu quarto que não era meu, eu é que não era mais dele.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Quinta-Feira é dia de sol.
O telefone toca. Desperto do meu sonho acordado. Sua voz me invade junto com um sentimento de ternura sem fim. Quero ser doce tão doce quanto o que sinto quando escuto tua voz. Mergulhada em planos bobos como, como vamos tirar uma foto, ou que filme vamos ver no cinema e "será que vai dar tempo de consertar o ar condionado antes de você chegar?", perco o foco e o dia passa voando. Impossível explicar o que se passa aqui dentro. Simplesmente não haaveria palavras que fizessem justiça, não importa a combinação delas que eu fizesse. É muito. E é nosso. "Nós", essa palavra parece se encaixar perfeitamente para o que somos hoje. Nós. Sem nó, nem amarra, mas um laço cor de rosa, rosa de amor e o amor é infinito. Apostando corrida com o relógio preso na parede a minha frente, ele sabe que por mais que o tempo passe vagarosamente pra quem espera com ansiedade, no fim, quem ganha a recompensa somos nós. Mais uma vez, nós. Cada tiquetaquear repetitivo quer dizer "um segundo a menos pra estarmos juntos". Nunca um relógio foi tão irritante e maravilhoso num mesmo segundo. Ando me deliciando com os tic-tacs da vida. Nem o céu azul dessa Segunda-Feira desviou minha atenção da Quinta-Feira que estar por vir, e por mais que quando ela chegue, chova, dentro de mim vai ser dia ensolarado, vou estar radiante, brilhando o amor que acaba de ser multiplicado por 2.
domingo, 9 de outubro de 2011
E quando chega, a mala cheia. E quando se vai, o coração vazio.
Abre a janela, menino.
Pesado. Como um saco de babatas inglesas. Assim defino como sinto meu coração nesse momento. Rezando pra que com um sopro, a poeira acumulada simplesmente desapareça, ou pelo menos se espalhe pra que não pese tanto. Minhas pálpebras exaustas só reagiriam a um único estímulo, tão natural, tão certo. Você aqui. Refletindo nos meus olhos negros e afagando meus cabelos molhados que roçam nas minhas bochechas coradas. Como pode ter dúvidas? Que maior prova posso dar, depois de ter-lhe entregado meu coração? Veja bem, menino, enxerga o que tens nas mãos, não deixe que escape a chance pelos vãos dos dedos que só assim são, por que nos teus dias não posso sempre estar. Abre a janela, menino. A janela, os olhos, a cabeça e o coração.
sábado, 8 de outubro de 2011
Meu (ex)quarto.
Meu velho quarto já não me cabia. A sensação de estar ali agora era diferente. Era saudade e mudança. Tudo numa onda só, banhando as areias do litoral das percepções que eu tinha sobre tempo e espaço, e sobre mim mesma também. Subi na cama, e com uma passada de perna já estava sentada na jardineira da janela. A vista, antes cheia de verde e calmaria, fora substituída por metros e metros de concreto e pastilhas em tom pastel. Fechei os olhos e me deixei levar, o vento soprando meu rosto, como quem diz "Como você cresceu tanto, menina?". Ainda me lembro das minhas bochechas corando, quentes, correndo e gargalhando por esta rua. Deixando a paisagem passar. Tudo passa, lentamente, e a gente nem nota, mas passa e fica lá trás, onde ninguém tem coragem de voltar, independente do motivo de cada um. Sempre enxerguei muito melhor de olhos fechados. Essa arte eu ainda domino. Considero um dom, algo pra compensar o meu jeito desastrado de derrubar tudo, deve também, ter a ver com o fracasso que sou com os números. Sempre calculando mal a distância certa entre mim e mesa de centro da sala de estar. A porta bateu, na mesma hora pensei que era o vento, bravo com o tempo, e o fato dele ser tão corrido e passar tão depressa. "Desnecessário", foi o que eu ouvi na batida desesperada contra o portal. Desci da jardineira e fechei a janela. Ainda com os dedos manchando o vidro, senti meu coração apertar. Naquele quarto morava uma menina, hoje, se despedia dele, uma moça. Passei uma alça da mochila sobre o ombro e fui lentamente me deslocando até a porta. Olhei envolta como se fosse a última vez. Eternizou-se aquela fotografia mental que fiz questão de tirar. "Pra não esquecer de onde vim, pra não esquecer quem sou." Me justificava para ninguém, com os olhos transbordando e a boca trêmula. "Como se precisasse, sua boba", disse, gentil, a minha consciência. Não respondi. Se alguém entende de mim nesse mundo, posso apostar que esse alguém é a minha consciência. Abri a porta, passei a segunda alça da mochila no ombro e puxei a mala pra fora dos limites do portal do quarto. Sorri. Não sei porque, mas sorri. E com esse sorriso, dei as costas para aquele pedaço do meu mundo. O conforto da promessa de um dia voltar, não me bastava, mas eu queria acreditar que sim, me era vital acreditar que sim. E fui, eu. E ficou-se o vazio. No quarto. E no coração.
Sobre números, estrelas e a grande gaveta.
Deitei de barriga para cima e olhando pro teto, me lembro de dizer pra mim mesma, que as estrelas, incontáveis lá no céu, eram como sentimentos. Não podemos medir, calcular, expressar por meio de tabelas ou gráficos. Não dá pra dizer: por ele sinto duas colheres de sopa de ciúmes e uma xícara de chá de amor; por ela sinto 2g de afeto e 25ml de irritação. Coração é complicado. Os números, por mais que minha vocação pra eles seja duvidosa, esses sim são simples, são concretos. Coração tem matemática própria, pro coração 1+1 às vezes é 3, às vezes é 2 e graças à Deus, depois de muita porrada, no meu caso, é 1. Aliás, somos 1. Pra que arrumar essa grande gaveta que se chama coração? Se alguma coisa aprendi entre tantas tentativas, foi que arrumá-la não é a solução, e que tudo se encaixa de forma predestinada, como num quebra-cabeça, cada pecinha pertence a seu lugar exclusivamente. Foi no meio de tantas pecinhas espalhadas dentro de mim, que conheci o tempo. Tempo e coração, melhores amigos. Não precisamos organizar nada, que mania chata essa nossa de acordar com a Maria e resolver que temos que enfileirar livros e sentimentos, tudo de uma vez só. Sentimentos deixam feridas e o remédio para fechá-las é... ele mesmo, não tem pra onde correr, o tempo. Não é preciso pânico, ele ensina, o tempo escancara a verdade na nossa cara, pode até demorar um pouquinho, mas ele não falha.
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