
Não fazer parte do cenário, não sair na foto, não ir nas viagens, nos passeios, nos almoços de domingo, não brigar mais, não fazer cara feia. Tudo isso "compensado" por alguns telefonemas durante a semana e separado por uma ponte aérea. Nada disso faz parte da minha realidade. Me parte o coração ver a vida de pessoas tão importantes sem poder tocar, como uma telespectadora que lastima não poder participar da vida dos personagens principais e que suplica cada migalha de atenção como uma fã desesperada pede autógrafos e abraços. Fingindo pra quem ainda fazer parte de qualquer que seja o núcleo dessa história? As relações foram dopadas, neutralizadas, e a essa altura do campeonato estão em coma irreversível, tantas metáforas e expressões pra definir me dão a certeza de que algo, de fato, não está indo bem. Aprendi, num tempo distante, onde tudo era fantasia e rosto pintado de tinta guache, que essas relações seriam minha âncora, iriam sempre me acompanhar aonde eu fosse, mas hoje a realidade é bem mais dura. Não existe drama nisso, às vezes gosto de pensar que é a ordem natural das coisas, a gente cresce e acaba deixando muitas coisas de lado, mas de repente algo me puxa pra realidade e eu descubro que não cresci tanto assim, e ainda que estivesse tão crescida, porque eu haveria de deixar tudo isso de lado? Veja bem, não se trata de bonecas, não estou deixando de lado as pelúcias que tanto amava aos 7 anos de idade. Aliás, sou eu tô deixando alguma coisa de lado aqui? É impossível não sentir o paradoxo quando olho pra dentro da questão, o desgaste de nadar contra a corrente e a dor na alma depois de todo esse exercício em vão. Perceber que qualquer solução não é solução, assusta. Assusta estar sozinha. Algumas coisas apenas não podem ser restauradas, mas algumas outras simplesmente não poderiam ser deixadas de lado.
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